Projeto "Fusion 4D" traz o objeto para as mãos do usuário e não requer nenhuma máquina de última geração para ser usado.
Você
assistiu ao filme "Minority Report", com Tom Cruise? Todo o aspecto de
ficção científica do filme é marcado por um breve momento, onde o
protagonista da película manipula uma série de imagens com as próprias
mãos, mudando a angulação, aumentando ou reduzindo o tamanho, enquanto
conversa com um computador.
Embora ambientado em uma trama
futurista, algumas coisas que vemos no filme - em especial, a dada
manipulação 3D - já estão a cada dia mais perto. Roberto Sonnino e Keila
Keiko Matsumura, formandos da Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo - Poli-USP - desenvolveram um software chamado "Fusion 4D", que
lhes permite a manipulação de imagens em 3D usando nada mais que um PC
de configuração moderada e o sensor de movimentos do Xbox 360, o
Microsoft Kinect.
De
acordo com Roberto Sonnino, um dos dois formandos da Poli-USP, o Fusion
4D é uma interface gráfica que traz uma imagem 3D às mãos do usuário,
permitindo-o manipulá-la através de giro, movimento, aumento e redução
de tamanho e também "explosão" de componentes, abrindo-a para uma
exibição mais detalhada. Outro recurso é a possibilidade de exibir uma
"linha do tempo visual" através do movimento, a qual mostra a aparência
do objeto apresentado durante determinados períodos. Veja abaixo o vídeo
de demonstração (sem o 3D e em inglês) com todos esses recursos:
"O Kinect, hoje, já é vendido pela Microsoft junto de um kit de
desenvolvimento de aplicativos. Isso facilitou muito o processo de
desenvolvimento", diz Roberto, indicando que, se fosse no começo, o
trabalho seria mais complicado pois seria necessário o uso de
hacks no sensor de movimento.
O que a dupla fez foi utilizar o kit de desenvolvimento para criar um
programa que fosse diretamente compatível com o Kinect: "não houve
mudança alguma nem no sensor, nem no software dele. O que fizemos foi um
estudo em cima do kit e criamos nosso programa por cima dele".
A
dupla, que apresentou o Fusion 4D como o trabalho de conclusão do curso
de Engenharia da Computação, diz que já vinha trabalhando em sistemas
similares, que usassem 3D e o Kinect, mas que a ideia do software final
veio do próprio laboratório: "a ideia deles era desenvolver uma espécie
de 'mapa da anatomia humana', usando imagens em 3D e realidade virtual.
Nós entramos com o Kinect, que acabara de ser lançado na época. Hoje, o
programa pertence à Poli-USP e eles vão desenvolvê-lo mesmo depois de
nossa formação, mas nós o vemos sendo aplicado em diversos campos que
atuem com modelagem 3D, como Medicina ou Engenharia - seria interessante
ver uma aula de Anatomia com o Fusion. Já li até alguns artigos que
indicam o uso de sistemas similares em reabilitação social, como
Psicologia pós-traumática. Tomara que o Fusion consiga chegar tão
longe", diz Roberto.
No caso do "maquinário" necessário para a
criação do projeto, engana-se quem pensa que a dupla trabalhou em algo
parecido com um supercomputador da NASA. Segundo Roberto, os itens mais
importantes, além do óbvio Kinect, são um processador moderado e uma
placa de vídeo, por causa da demanda de processamento gráfico da
resolução 3D. "O trabalho foi, na maior parte, desenvolvido no meu
laptop - uma máquina com dois anos de idade na configuração. Qualquer
máquina vendida no varejo hoje, à exceção dos netbooks, consegue
reproduzir o Fusion".
As
partes necessárias - Kinect, PC de configuração moderada e um óculos 3D
comum - são simples de se obter, de acordo com Roberto. A maior
preocupação deles foi com o desenvolvimento em si, mas mesmo isso foi
facilitado pelo
devkit disponibilizado pela Microsoft: "o kit
já oferece recursos para você trabalhar com o 'esqueleto' do Kinect -
isso seria o reconhecimento de ambiente, pessoas e movimento do sensor -
e os comandos por voz. A parte mais exigente do trabalho ficou mesmo na
pesquisa: usamos o que aprendemos sobre interfaces interativas e
programação, com a orientação dos professores, com a linguagem de
programação 'C#'. O tempo de desenvolvimento, entre criação do software,
redação da monografia e as aulas normais, foi de cerca de seis meses".
E,
para quem acha que o 3D é só uma moda passageira, inaugurada por
fabricantes de TV, Roberto dá o recado: "acho que o 3D ainda está
começando. Somente agora criaram o 3D sem óculos e telas mais
específicas e mais baratas para ele. Tem muita lenha para queimar. Eu
imagino um futuro onde as telas, por padrão, terão reprodução em 3D
somente por elas serem, logo, logo, tão baratas como as telas
sem ele. Claro, tem muita pesquisa para ser feita, mas acho que o 3D ainda terá o seu momento".
Para saber mais, acesse o
site oficial do projeto.