No mês
passado, o presidente do Conselho de Administração do Google, Eric
Schmidt, disse que o Google estava desenvolvendo um tablet Android “de
alta qualidade” e que seria lançado dentro de seis meses. Uma notícia do
DigiTimes na quinta-feira (05/01) sugere que o tablet será um
dispositivo da marca Nexus, com tela de 7 polegadas, preço de US$199 e
com lançamento marcado para abril.Todos sabemos como essas notícias que usam “fontes da indústria” podem ser confiáveis (ou não), mas vamos analisar se a ideia faz sentido?
Os tablets Android não tiveram sucesso durante o ano passado. Na CES 2011 foram apresentados mais de 50 modelos com o sistema operacional da gigante de buscas , cuja maioria não chegou às lojas. Os que chegaram, não conseguiram roubar uma parcela de mercado significativa do iPad, da Apple. Os dispositivos com o sistema possuem apenas 3,3% do ecossistema da plataforma.
Testei dezenas destes dispositivos no ano passado. A maioria eram bons, mas com problemas. Tome o Motorola Xyboards, vendido pela operadora norte-americana Verizon Wireless, como exemplo. Os dois modelos possuem ótimos designs e um excelente conjunto de recursos, mas levará a Motorola e a Verizon a vender milhões deles? Provavelmente não.
A ideia por trás do conceito Nexus, do Google, é oferecer aos desenvolvedores uma plataforma nativa para a criação de aplicativos. Já tivemos isso no Galaxy Nexus, no Nexus S e Nexus One. Segundo o site de desenvolvedores do Google, qualquer app escrito para funcionar no Android 4.0, funcionará igualmente em smarphones com telas de três polegadas e tablets com dez polegadas. Somente isso parece negar a necessidade de uma plataforma de desenvolvimento exclusiva para tablets.
Talvez o mais interessante por trás da notícia do DigiTimes é que o Nexus tem uma tela de 7 polegadas, custa US$199 e terá como alvo o Kindle Fire e não o iPad. Essa é uma história completamente diferente.
Com base nos relatórios de venda de fim de ano, os dispositivos como o Kindle Fire, da Amazon, e Nook, da Barnes & Nobles, foram presentes populares e talvez tenham abocanhado uma parcela significativa de vendas da Apple. Uma das grandes atrações desses dispositivos com foco em mídia é seu valor baixo. Os Kindles vão desde US$ 79 até US$199. O iPad mais barato custa US$499.
O Google, com a ajuda da Motorola, pode lançar no mercado um tablet menor. Tal dispositivo seria uma ameaça muito maior à parcela de mercado da Apple do que os atuais dispositivos Android cujo preço é de US$ 800. Claro que com isso o Google também estaria competindo com seus próprios parceiros, mas mesmo roubando parcela de mercado do Kindle Fire, atinge a Apple.
O diferencial será a qualidade do dispositivo. Uma das razões do sucesso do iPad é a alta qualidade. Apesar de “alta qualidade” e o preço de “US$200” serem diferentes abordagens no mercado, coisas estranhas podem acontecer.
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