O
Magazine Luiza criou um modelo de negócios que se utiliza das redes
sociais. O esquema funciona mais ou menos assim: você se cadastra,
inserindo dados como CPF e conta bancária, seleciona 60 produtos que
quer vender em sua loja virtual e coloca sua revenda no Facebook ou
Orkut. Cada produto vendido na loja pode gerar de 2,5% a 4,5% de
comissão ao dono do "estabelecimento virtual", e o dinheiro pode ser
depositado na conta bancária do comerciante.
"Vemos um grande potencial na venda
direta no Brasil. Inicialmente foi um processo intuitivo, muito comum em
nossa empresa. Depois, quando estudamos o social commerce no
Brasil e no mundo, notamos que não existia referência. Por isso, tivemos
empenho para fazer algo que fosse relevante para as pessoas e que, ao
mesmo tempo, fosse o mais social possível", diz Frederico Trajano,
diretor de Vendas e Marketing do Magazine Luiza.
Segundo o executivo no varejo, a melhor propaganda
sempre foi o boca a boca e este projeto é como uma rede de divulgadores
que passam a espalhar a marca e ainda descolam uma graninha. "Queremos
que o divulgador atue como um curador, selecionando cada produto que
estará na sua loja de acordo com as suas preferências e a dos seus
amigos. O divulgador pode mudar sua seleção de produtos sempre que
desejar. Queremos que os divulgadores se tornam conhecidos na rede
por serem 'especialistas' no assunto e capazes de recomendar os melhores
produtos", comenta.
O cliente faz a compra direto pelo Facebook ou Orkut
e, ao finalizar o pedido, ele é redirecionado para o site do Magazine
Luiza, garantindo a segurança dos dados de pagamento e entrega. O
vendedor, por sua vez, pode trocar de produto a qualquer momento,
analisando quais itens têm feito mais sucesso entre seus amigos da rede
social. Para abrir uma lojinha do Magazine Luiza em seu perfil, é
necessário ser maior de 18 anos, ter título de eleitor, conta bancária e
número do PIS. Depois, é só buscar na rede de produtos da loja pelos
itens que você vai querer deixar disponível à venda. "Estamos com cerca
de 20 mil lojas nas redes sociais, mas não podemos divulgar o que estas
comercializações representam na receita da companhia", finalizou
Frederico.
Na mesma linha, a Avon tem apostado em widgets em
redes sociais. As revendedoras, que já possuem contrato prévio, podem
disponibilizar um app nas redes sociais
com os catálogos mensais dos produtos. No ambiente virtual da empresa,
as revendedoras também recebem treinamentos, notícias, informações sobre
produtos e as principais ofertas, além de fazerem seus pedidos para a
empresa. "A revendedora tem autonomia para compartilhar o widget quando ela desejar e nas redes sociais
que ela preferir; para isso, ela pode entrar no site e compartilhar o
link a cada campanha, adicionando comentários se desejar", ressalta Luiz Soares, diretor de Inovação e Contact Center da Avon.
A diferença, no entanto, é que os produtos continuam
sendo pagos diretamente para a revendedora. Ou seja, os compradores
devem negociar a forma de pagamento com a própria pessoa e não realizar
pagamentos online para a Avon. "O nosso objetivo com o widget é que a
revendedora possa gerenciar melhor o relacionamento com seus clientes e
incrementar as vendas na sua rede de relacionamentos na internet. O
cliente dessa revendedora pode escolher os produtos pelo catálogo
online, mantendo e fortalecendo o contato pessoal, pois é ela quem vai
registrar seu pedido, fazer a entrega e dar toda a consultoria
necessária para que essa pessoa fique satisfeita", explica.
Segundo Luiz, o ambiente virtual da Avon foi bem
recebido pelas revendedoras, portanto, hoje, cerca de 80% dos pedidos
realizados já são via internet. "Hoje a internet é o canal de maior
relevância na captação de pedidos dos revendedores, chegando a 80% em
média. Nosso objetivo é chegar rapidamente aos 100% dos pedidos enviados
pela internet, pelo site da revendedora. Para isso, estamos investindo
em diversas iniciativas, como a inclusão digital dos revendedores por
meio de várias ações. Mas já percebemos essa mudança no perfil da
revendedora, que já está aprendendo a usar muito bem a internet a favor
de seu negócio", conclui.

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