| Rógerio Nunes, da Smart. |
O
envolvimento da Smart Modular Technologies com o mercado brasileiro
dava, há tempos, uma mensagem clara. A fabricante norte-americana de
chips aplicou 100 milhões de dólares na operação local ao longo dos
últimos cinco anos. Agora, a companhia reforça estratégia nacional com
alocação de outros 150 milhões de dólares por aqui em três anos. Também
pudera: o País representava 40% dos negócios globais da empresa até
agosto de 2011, quando foi comprada e seu novo controlador tirou ações
da Nasdaq.
“Na verdade, já foram 120 milhões em
investimentos diretos”, corrige Rogério Nunes, vice-presidente e
diretor-geral da fabricante no País sobre o montante já realizado. O
dinheiro destinou-se à produção, revertendo atualização tecnológica de
linhas para atender mudanças de escala vindas com novas gerações de
chips, ampliação de capacidade e revisões dos produtos.
Parte dos investimentos destina-se a
encapsulamento para atender a alta demanda nacional por componentes
utilizados em aplicações móveis, uma frente que o executivo classifica
como “de alta tecnologia e alto valor agregado”. Integram essa plano
produtos como discos em estado sólido (SSD e eSSD, destinados a tablets e
smartphones) e MCP (multi chip package).
O movimento alinha-se, ainda, a uma
orientação de políticas governamentais que privilegiam o aumento do
índice de nacionalização de componentes na montagem de dispositivos no
Brasil, além de oferecer a fabricantes OEM (Original Equipment
Manufacturer) produtos com benefícios competitivos e facilidade
logística.
Diversificação
A Smart mantém uma estratégia que toca diversificação de sua linha de produtos a partir do lançamento de memórias flash USB. O movimento colocou, ainda, a empresa no caminho do mercado B2C (business to consumer), com parcerias de distribuição, que abastecem revendas focadas em consumidores finais.
“Começamos a atuar junto ao varejo há
seis meses”, diz o executivo, que acrescenta: “Mas entendemos que [é um
segmento que] vai crescer”. Como se trata de um negócio em fase inicial,
a expectativa é triplicar o faturamento anual da divisão pelos próximos
três anos. A perspectiva é que a frente de memórias flash alcance
representatividade semelhante ou maior do que a o nicho de equipamentos
DRAM – principal frente de negócios atualmente – no portfólio da
fabricante.
De acordo com o diretor, os negócios
locais crescem, em volume, a uma taxa anual entre 40% e 45%. Além disso,
o Brasil tornou-se o terceiro maior mercado de computadores do mundo
sem perder o embalo, o que estimula a indústria de informática. A
memória flash cresce acima do mercado de DRAM em volume e é puxada por
novas aplicações em telefones celulares, câmeras digitais, GPS e outros
produtos de consumo.
“Estamos otimistas
com o ano de 2012, com capacidade produtiva grande e portfólio
diversificado em comparação a 2011 (basicamente dois produtos), que
agora é uma família (com 17 produtos e alem de desenvolvimento). É
bastante trabalho, mas que esperamos começar a colher alguns frutos”,
projeta Nunes.
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