Tecnologia 4G pede investimentos para chegar ao Brasil em 2014
Conexão 3G chega a uma velocidade de 1 megabit por segundo, enquanto que a 4G passa de 10 megabits. Acesso mais rápido à internet melhora a qualidade dos vídeos vistos em tempo real, sem necessidade de download.
Conexão 3G chega a uma velocidade de 1 megabit por segundo, enquanto que a 4G passa de 10 megabits. Acesso mais rápido à internet melhora a qualidade dos vídeos vistos em tempo real, sem necessidade de download.
Renata Ribeiro, Jorge Pontual e Roberto Kovalick São Paulo, SP/ Nova York, EUA/ Tóquio, Japão
Não é tão antigo quanto a central telefônica da década de 1920, mas
sim, o celular já virou peça de museu. Tão obsoleta quanto a pesada
bateria dos primeiros “tijolões” é a ideia de um aparelho feito só para
falar. A nova geração de celulares promete uma internet dez vezes mais
rápida. O 3G, que ainda ontem trouxe o mundo para a palma da mão, já foi
superado.
A tecnologia 4G chegou aos Estados Unidos há dois anos. A primeira
empresa a oferecer o serviço no país abriu as portas para a equipe do
Jornal da Globo fazer testes. Para comparar a velocidade das duas redes,
a 3G e a nova a 4G, usamos dois tabletes da mesma operadora, um ligado
em cada rede.
A conexão 3G chega a uma velocidade de 1 megabit por segundo,
enquanto que a 4G passa de 10 megabits. O acesso mais rápido à internet
melhora a qualidade dos vídeos vistos em tempo real, sem necessidade de
download.
A diferença realmente é impressionante. A qualidade do vídeo em 4G é muito superior à qualidade do mesmo vídeo em 3G.
Levamos um aparelho 4G para fazer outro teste: o de download de
arquivos. Oferecemos a pessoas que usam o 3G a chance de se conectarem
ao wi-fi 4G, para avaliarem a tecnologia mais moderna.
Jacqueline baixou uma foto no celular. Em geral, levava 45
segundos, e levou 20. Michael testou baixar um podcast que costuma levar
de cinco a dez minutos. Com o 4G, baixou em apenas um minuto. Ele se
diz impressionado, “foi muito rápido”.
Japão
No Japão, os celulares são mais usados como computador de bolso ou
TV portátil. Com velocidades de download que chegam até 42 Mbps no meio
da rua, Mayumi assiste a um vídeo de um grupo famoso lá, enquanto
aguarda uma amiga. Qualidade perfeita.
Com a conexão japonesa, já é possível fazer uma teleconferência por
telefone. Quando se captam imagens neste celular e se transmite para o
computador, ficam granuladas, ficam congeladas de vez em quando. Quando o
4G chegar, não tenha dúvida. A imagem será perfeita: transmissão ao
vivo usando apenas um celular.
Embora as empresas americanas usem comercialmente o termo 4G, os
japoneses não consideram que a tecnologia atual, a LTE, usada tanto no
Japão como nos Estados Unidos, mereça esse nome. É rápida, mas não o
suficiente. Por isso, é chamada ainda de 3G pelos japoneses.
Os japoneses seguem o que sugere a União Internacional de
Telecomunicações, órgão da ONU, que considera 4G a conexão com
velocidade de download de pelo menos 100 Mbps.
A tecnologia funciona perfeitamente em laboratório, mas ainda faltam alguns anos para chegar às ruas. Um dos principais desafios é reduzir o tamanho do aparelho receptor.
A tecnologia funciona perfeitamente em laboratório, mas ainda faltam alguns anos para chegar às ruas. Um dos principais desafios é reduzir o tamanho do aparelho receptor.
Brasil
Estádio do Morumbi, quarta-feira. Faltam poucos minutos para o
clássico São Paulo e Corinthians pelo campeonato brasileiro. O estádio
não lotou, mas está cheio. Os jornalistas já estão posicionados, e não
conseguimos fazer o teste de velocidade de um celular 3G.
A internet ficou instável, lenta. A velocidade, que gira em torno
de 1 Mbps, ficou bem menor, porque dividimos o sinal com todo mundo que
está acessando a rede. Para a Copa do Mundo, é preciso mais.
O desafio do Brasil é maior do que o da África do Sul, porque, em
2014, os estádios estarão ainda mais cheios de smartphones e tablets.
Atualmente, a telefonia móvel no Brasil funciona assim: o sinal do 3G
passa por frequências de ondas entre os aparelhos e as antenas, como em
uma estrada.
Quando muita gente usa o celular ao mesmo tempo, os dados emitidos e
recebidos são como vários carros que congestionam a via aérea. Os
sinais de alguns aparelhos são passados para estradas piores, mais
lentas, as frequências do 2G. Quando isso acontece aparece aquela letra
"e", de edge (limite) no aparelho. Quando o tráfico de dados é grande
demais, tanto o 3G quanto o 2G ficam congestionados e o celular fica sem
sinal mesmo.
Para começar a resolver isso, no ano que vem, as operadores vão
abrir os sinais 3,5G. Até a copa, deve chegar o sinal do LTE, que no
Brasil também chamaremos de 4G. Todos os sistemas vão funcionar ao mesmo
tempo. Se o 4G ficar congestionado, o sinal vai para o 3,5G e assim por
diante.
O governo promete o 4G operando em todas as cidades-sede até a Copa
do Mundo. A largada será dada em abril deste ano, com a licitação da
concessão do 4G. “Na hora em que assumimos o compromisso com relação à
Copa, nós assumimos o compromisso com todos os eventos intermediários.
Copa das Confederações, por exemplo, é a mesma coisa”, explica Ronaldo
Sardenberg, ex-presidente da Anatel.
O governo deve liberar para o 4G uma frequência de menor alcance.
Com isso, as empresas, além de adaptar a rede 3G, terão que montar novas
antenas e investir em fibra ótica e microondas para o escoamento de
dados. As operadoras vão gastar juntas, esse ano, cerca de US$ 18
bilhões na expansão da rede.
Professor de engenharia elétrica do Instituto Mauá, Marcelo Motta
explica que o Brasil está atrasado, mas que há tempo para instalar o 4G
nas cidades-sede até a Copa do Mundo. “A implantação das redes 3G no
país chegou defasada em relação ao mundo por três anos. O mesmo deve
acontecer com o 4G. Muitas vezes se chega a essa situação de ter que
investir em uma tecnologia sem ter o retorno da tecnologia
predecessora”, diz.
Seja para ver vídeo, ver e-mail ou até mesmo para falar com alguém,
o rápido crescimento do 3G no Brasil e o péssimo desempenho do sistema
em grandes eventos mostram que o 4G será bem-vindo.
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